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  • Foto do escritorAnne Nogueira

A resiliência das cidades frente à Covid-19: exemplos globais, ações locais

O conceito e a importância dos espaços públicos vêm sendo debatidos com maior frequência nas últimas décadas. Com a nova realidade pandêmica, veio à tona com mais força o uso desses espaços.

A pandemia tem feito as cidades adotarem novas relações de uso do espaço público e privado. A descentralização dos espaços de trabalho e o enfoque nos deslocamentos para os serviços essenciais, trouxe a ressignificação da distribuição espacial da cidade.


"A pandemia tem feito as cidades adotarem novas relações de uso do espaço público e privado".

Além disso, podemos dizer que esse novo comportamento social tem fortalecido o senso de comunidade da população, com vizinhos mais jovens ajudando nas compras de seus vizinhos de mais idade, o povo local apoiando os pequenos comerciantes e pequenas empresas familiares, grupos arrecadando cestas básicas, entre outros atos de solidariedade, como o simples gesto de um sorriso por de trás da máscara!



Hoje, trabalhar o espaço da rua com foco nas pessoas é uma prática global de resposta à crise da Covid-19, uma vez que, com a redução da oferta de transporte público e o volume de tráfego, esses espaços se dispõem para novas possibilidades de uso, onde a população passa a usufruir de uma forma mais livre e segura, o espaço público que é seu por direito.



Fonte: Departamento de Trânsito de Nova Iorque.


Várias cidades pelo mundo têm sintetizado práticas emergenciais, reorganizando suas ruas de acordo com as necessidades locais. Dessa forma, se configuram para que não apenas a população local, mas principalmente os trabalhadores essenciais possam se locomover de forma mais resiliente, dando a todos o acesso aos serviços básicos, como por exemplo ir ao supermercado e muitas outras medidas mitigadoras. Oakland foi uma das grandes cidades que adotaram programas para recriar e repensar suas ruas.


Fonte: The Mercury News, 7 de maio de 2020, Oakland.


Lançado em abril de 2020, o Programa "Slow Streets" veio como uma resposta prática ao Coronavírus. O Programa demonstrou a necessidade de readaptar o modo de vida das pessoas, trazendo-as para as ruas, apoiando o acesso seguro aos serviços locais, a caminhabilidade, as atividades físicas ao ar livre e respeitando o distanciamento social. Dessa maneira, os parques e praças não são sobrecarregados com aglomerações de pessoas, e essa ação também diminui o trânsito em ruas selecionadas ao adotar elementos do urbanismo tático para melhorar a interseção de 21 quilômetros de ruas em toda a cidade.


Fonte: StreetBlog NYC, 1 de maio de 2020, Oakland.


O "Slow Street" não somente estabeleceu estratégias que permitiram o acesso aos serviços essenciais com segurança e facilidade, como também garantiu a circulação de forma livre e ativa dos cidadãos, incentivando-os ao uso de bicicletas, instalação de medidas de "traffic calming" com sinalizações verticais e a abertura das ruas para recreação.


No Brasil, citamos a cidade de Campo Grande, que em 2019 trabalhou com propostas de incentivo ao uso dos espaços públicos e iniciativas de projetos colaborativos que integrassem a população e potencializassem o território com arte e cultura.


Fonte: Coletivo Labor, Campo Grande.


A proposta do corredor gastronômico na Av. José Antônio, veio como um incentivo ao uso da rua de forma livre e igualitária, com elementos de fácil implantação, onde a própria população participou da intervenção! Com alargamentos de calçadas, instalação de "parklets", mobiliários urbanos, vegetação e muita cor. A avenida tem como objetivo aumentar a vivacidade do bairro, seguindo todas as considerações dos protocolos de saúde.


"A proposta do corredor gastronômico na Av. José Antônio, veio como um incentivo ao uso da rua de forma livre e igualitária, com elementos de fácil implantação, onde a própria população participou da intervenção!"

Fonte: Coletivo Labor, Campo Grande.


A facilidade e agilidade de implantação que o urbanismo tático proporciona à cidade, mostra como essa ferramenta pode ser facilmente adaptável de acordo com as necessidades locais. Uma vaga de estacionamento pode virar uma calçada estendida, (oferece mais espaço para os pedestres transitarem), uma faixa da via pode influenciar o uso seguro dos ciclistas e desenhos no chão podem sinalizar o distanciamento social em lugares de espera.


São essas pequenas mudanças que em meio a uma pandemia tornam a cidade mais acessível à própria população. Mudanças tais que surgiram por conta da necessidade em resposta à uma crise global. Como diria Albert Einstein: "No meio da dificuldade, encontra-se a oportunidade".


E você, já parou para pensar em suas oportunidades?


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