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  • Foto do escritorPaula Yuri Taniwaki

Recuperação de Áreas Degradadas: Projetos de Reabilitação Ambiental em Ambientes Urbanos

“Degradar é deteriorar, estragar. É o processo de transformação do meio ambiente que leva à perda de suas características positivas e até à sua extinção” - Neves e Tostes, 1992

 


O crescimento desordenado das cidades sem um planejamento urbano e ambiental colabora para a formação de espaços degradados, que são áreas que sofrem alterações por intervenção humana, comprometendo o funcionamento do ecossistema natural do qual faz parte.

 


Isso ocorre devido a inúmeras ações prejudiciais ao local, como exemplo, a disposição inadequada de resíduos sólidos, poluição atmosférica, lançamento inapropriado de efluentes em corpos hídricos, remoção de áreas verdes para implantação de loteamentos em área urbana, entre outros. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), 140 milhões de hectares de terras brasileiras estão degradadas, o que corresponde a 16,5% do território nacional. Dado alarmante que nos faz pensar sobre o que pode ser feito para reverter esse cenário.



Rio poluído por lixo

 

Quem nunca passou por uma área com odor desagradável na sua cidade devido ao descarte incorreto de resíduos sólidos? É muito comum ver nos fundos de vale ou em terrenos baldios, uma grande quantidade de resíduos, sejam os volumosos (sofás, camas, armários), ou até mesmo os domésticos (restos de comida, lixo de banheiro, entre outros).

 


Esse é apenas um dos exemplos de impactos negativos e que causa degradação ambiental, pois além de prejudicar a estética do local e incomodar a vizinhança, há a desvalorização imobiliária, contaminação do solo, proliferação de vetores de doenças e, consequentemente, danos à saúde pública e qualidade de vida. Só com esse exemplo, percebemos que áreas degradadas em ambientes urbanos causam efeitos danosos tanto em uma esfera ambiental, quanto socioeconômica e podem atingir diversas pessoas.

 


Para contornar esse problema, além dos aspectos culturais junto à população, podemos trabalhar com os projetos de reabilitação ambiental, foco do nosso conteúdo. Para entrar nesse conceito, temos que diferenciar alguns termos muito usados na área de meio ambiente, como restauração, recuperação e reabilitação.

 


Cada ambiente degradado tem as suas próprias características e por isso, deve ter uma abordagem e estudo personalizado para averiguar qual ação deverá ser feita para readequar esse espaço, para isso é essencial diferenciar esses três termos. O conceito de restauração consiste em reproduzir exatamente as condições originais do local, de antes da intervenção. Já na recuperação, a área a ser recuperada deverá ter qualidades próximas às anteriores, devolvendo o equilíbrio ambiental. E, por fim, a reabilitação é compreendida como o desenvolvimento de alternativas adequadas ao uso humano, mas que não causem impactos negativos no ambiente, trazendo um equilíbrio biológico apropriado para a área degradada. Em outras palavras, é uma forma de devolver função para espaços degradados.

 


A vegetação é uma ótima aliada em projetos de reabilitação ambiental. Além de promover uma boa estética e paisagismo, ela confere benefícios como o conforto térmico, manutenção da boa qualidade do ar, regulação hídrica e facilitação da mobilidade urbana, principalmente para os pedestres que usufruem das sombras fornecidas pelas árvores.

 


Outra vantagem está relacionada com a psicologia ambiental, uma vertente da psicologia que procura entender como o ser humano influencia e é influenciado pelo meio ambiente. Estudos comprovam que a proximidade com a natureza traz benefícios significativos para a saúde, pois pode amenizar sintomas de ansiedade e o estresse, melhora da função cognitiva e do humor, entre outros.

 


Rodovia arborizada


Um dos maiores projetos de reabilitação ambiental no Brasil, por meio do reflorestamento, é o Parque Nacional da Tijuca.  Sua história é antiga: em 1861, D. Pedro II iniciou um processo de desapropriação da área das florestas da Tijuca e das Paineiras e de reflorestamento, para permitir a regeneração natural da vegetação. Depois disso, a área passou a ser de uso público com projetos de paisagismo, consolidação de vias internas, construção de restaurantes, entre outros. Em 1961, o Parque foi então consolidado e hoje consiste em um importante acervo histórico e cultural, além de ser a maior floresta replantada do mundo em área urbana.

 


Outro exemplo interessante ocorrido no Brasil é a recuperação de áreas mineradas em Curitiba. Geralmente, essas áreas são complexas de serem reabilitadas devido aos impactos ambientais de grande escala que essa atividade pode trazer, como contaminação do solo e da água com metais pesados, poluição do ar, assoreamento de rios, entre outros. Em Curitiba, para reabilitar uma área de pedreira em que eram extraídas pedras para uso em construções, foram arquitetados parques e casas de espetáculos para uso público, incluindo a conhecida Ópera de Arame.

 


Por outro lado, temos também a transformação de sistemas convencionais agrícolas em agroecológicos como forma de reabilitação ambiental. Esse tipo de sistema, mais sustentável, adota como princípio, manter a vida do solo por meio de cobertura permanente. Dessa forma, minimiza a ocorrência de erosões; respeita os ciclos naturais, adaptando as atividades agrícolas aos ciclos da natureza; melhora a fertilidade do solo, usando fertilizantes de média e baixa solubilidade, além de adubar o solo e não a cultura.

 


Agricultura sustentável


Com isso, vemos que a reabilitação ambiental não só consiste em uma maneira de revitalizar espaços degradados, como também promove uma transformação e interação social. Espaços sem função podem ser transformados em locais valorizados para uso público, o que gera valor à população, além da geração empregos e renda quando há elaboração e execução dos projetos de revitalização.  Essas áreas que antes eram consideradas um problema são convertidas, então, em uma oportunidade de aprimorar a identidade local e estimular a convivência social, criando diversos benefícios tanto para os cidadãos quanto para o meio ambiente.

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